Flávia Furlan Nunes, de Infomoney
O desempenho da bolsa de valores brasileira não tem sido animador neste ano. Desde janeiro, o Ibovespa apresenta queda de 6,39% (até 10 de maio). Mesmo no cenário pouco propício, algumas gestoras têm feito seus fundos registrarem ganhos, mas quais são as estratégias que estão sendo usadas por elas?
A Argos, cujo fundo de investimento em ações ativo registrou alta de 14,38% desde o começo do ano (até 06/05/2011), afirmou que está “em cima da árvore”. Isso quer dizer que a ideia do fundo é ficar totalmente neutro, porque o mercado está caro e arriscado. Desta forma, a equipe de gestores admitiu a estratégia de proteger a carteira, o que tem dado resultados.
A gestora acredita que o mercado terá espaço para mais correção, tendo em vista que veio de um período turbulento da crise de 2008, acompanhado de um momento de ganhos fáceis. No ano passado, a bolsa andou “de lado” e, neste, será o momento de o mercado parar para pensar no que está acontecendo.
Diante deste cenário, a gestora aposta em ações de forma que possa travar suas posições, em momentos de muita alta ou baixa. Além disso, a gestora afirmou que mantém uma pequena posição nas small caps, empresas pequenas e com grande potencial de valorização. Com o mercado da forma como está, os gestores têm preferido papéis com liquidez.
A Argos afirmou que manterá a posição até que tenha um dado mais concreto de que este movimento de volatilidade do mercado esteja encerrado. Enquanto isso, acredita que é preciso ter paciência.
Investimentos com posição defensiva
Já a Explora afirmou que suas posições estão focadas nos setores de energia, telecomunicações e construção, sempre pensando em longo prazo e fundamentada em pesquisa. A gestora bateu o Ibovespa até maio deste ano, com seu fundo Explora Oportunidades Ações FI de Ações com uma alta de 10,52% até 06/05/2011.
Para proteger as posições de longo prazo em caso de eventos que possam acarretar em surpresas muito negativas, a gestora usa a estratégia de derivativos, principalmente quando há uma assimetria muito grande entre as expectativas do mercado e as da gestora, quando opta pela utilização de opções.
Como uma gestora fundamentalista “bottom up” – o que significa que começa a análise do mercado por uma determinada empresa, independentemente de sua região ou área de atuação -, a Explora afirmou que analisa empresas que têm uma assimetria de risco e retorno favorável e uma boa margem de segurança.
Em um cenário de inflação alta, a gestora afirmou que monitora o impacto disso nas empresas, mas que não foi motivo para nenhuma das escolhas atuais. “Nosso portfólio busca 100% de alocação e nossas histórias são de longo prazo, portanto, não fazemos rotação setorial ou aumentamos nossa posição em caixa de acordo com a percepção de risco, mas sim conforme a maturação e o surgimento de novas ideias de investimento”, diz a gestora.
A Explora afirmou que foca em encontrar boas oportunidades de investimento em consequência da perspectiva de crescimento das companhias e não baseada na valorização da bolsa.







